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Edição II, Português

Fevereiro 2011


Conteúdo

#000 Editorial

#001 Vencendo o medo da solidão

#002 A sexualidade como uma forma de comunicação

#003 Eu tehno HIV

#004 Construindo parcerias entre acadêmicos e novos movimentos sociais

#005 Exame de carga viral

#006 Informações importantes sobre saúde e HIV

#007 Créditos


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#000

Editorial: Sobre o tratamento de HSH vivendo com HIV
Por Qiu Feng

 

 

 






À primeira vista, os serviços na China para as pessoas vivendo com HIV podem parecer bastante bons.  Temos uma política abrangente de tratamento de aids chamada “Atenção Integrada com Quatro Serviços Gratuitos.”  Temos também hospitais especializados no tratamento de aids, com médicos experientes. No entanto, apesar disso tudo, nós que vivemos com HIV ainda vivenciamos abusos e privações, de modo que muitos de nós passamos por muita tristeza e raiva.

No final de 2009, um amigo meu quebrou o tornozelo. Ele precisou operar, e os médicos testaram o sangue dele como parte do protocolo preparatório padrão.  Os resultados eram previsíveis: os médicos descobriram que ele tinha HIV.  Queriam que deixasse o hospital deles e se tratasse em outro

Artigo continua

QiuFeng

Qiu Feng, cortesia de Qiu Feng.


 

serviço de saúde especializado em HIV/aids.  Ele fez isso e no final conseguiu ser tratado pela lesão no tornozelo.  Mas foi uma experiência medonha repleta de rejeição e discriminação.

Esse foi meu primeiro encontro com as injustiças enfrentadas por pessoas vivendo com HIV na China.  Depois do que aconteceu com meu amigo, já ouvi muitas outras histórias de amigos vivendo com HIV sobre falhas graves nos serviços e na atenção à saúde. Não existe a verdadeira proteção da privacidade das pessoas vivendo com HIV, o que leva muitos HSH a se consultarem em outras cidades ou a abrirem mão do tratamento completamente. A discriminação no mercado de trabalho tem se intensificado tanto no setor público como no setor privado, sendo obrigatória a testagem por HIV para candidatos a funcionário público, professor ou até mesmo a vagas em muitas empresas do setor privado.  Os hospitais se recusam constantemente a atender pessoas vivendo com HIV, sob alegação de que faltem leitos ou que não haja especialistas para atender a “condição.”  Não parece importar o fato de que todas estas situações – quebra de sigilo, testagem obrigatória de funcionários, recusa de tratamento médico com base na sorologia positiva para o HIV – violam escancaradamente a legislação chinesa.

O enfoque desta edição da revista Sense é o acesso.  A questão do acesso é muito importante para os HSH vivendo com HIV na China.  Do meu ponto

 

de vista, se tivéssemos acesso a serviços apropriados de assessoria jurídica, talvez conseguíssemos defender os direitos que a legislação chinesa nos garante, e melhorar em muito nossa qualidade de vida.  Esta edição da revista Sense oferece uma ampla gama de relatos sobre diversos tipos de acesso para HSH vivendo com HIV em vários países diferentes, explorando ideias sobre o acesso em relacionamentos, comunidades, situações amorosas e individuais, assim como os muitos obstáculos que enfrentamos. 

Escrevendo desde a Colômbia, Juan Calderon aborda a necessidade da superação do estereótipo que afirma que os HSH vivendo com HIV não conseguem estabelecer relacionamentos estáveis com outros HSH, sejam eles HIV positivos ou negativos.  Matthew Thomann discute as oportunidades criadas por um forte senso de comunidade entre um grupo de HSH na África Ocidental.  Carlos Rivas, um venezuelano que mora em Toronto, examina a necessidade dos gays entenderem sua sexualidade como um meio de comunicação e autoexpressão positivas.  São histórias com as quais muitos de nós podemos nos identificar.  Assim como as demais pessoas que contribuíram para esta revista, espero que esta segunda edição da Sense ajude a iniciar conversas sobre a situação do acesso aos serviços de saúde, relacionamentos e o senso de comunidade entre HSH vivendo com HIV, entre nossos entes queridos, e na nossa sociedade como um todo.eblue

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